Você sabe como calcular o preço do seu produto?

Por: Amanda Paz, by Funny Amandita (a autora permite cópia deste post, desde que citada a fonte e anexado um link para essa página).

PARTE 2 – IDENTIFICANDO OS CUSTOS

Para calcularmos o preço de um produto, uma das coisas que precisamos saber é quanto, de fato, gastamos para produzi-lo, isso é, o custo do produto. Os especialistas costumam diferenciar despesa de custo, mas, para facilitar o entendimento, chamarei tudo que é gasto com o produto de custo.

Como, normalmente, as pequenas artesãs produzem em casa mesmo e não possuem um ponto de vendas (físico), também não farei distinção entre custos fixos ou variáveis nem entre diretos e indiretos. Considerarei tudo como custo.

O custo do produto pode variar de acordo com o tipo de negócio e com o tipo de produto. Basicamente, podemos considerar os gastos com:

  • Material (feltro, linha, tecido, papel, fitas, cola, embalagens; impressão etc)
  • Água;
  • Energia elétrica (ex: uso de cola quente, ferro de passar roupa; secador, iluminação etc);
  • Comissões (ex: se você, como eu, tem loja em sites especializados, normalmente costuma pagar uma taxa para manutenção da loja no ar e por cada produto vendido. Isso vale também para o Pag Seguro);
  • Transporte (para compra de material, entrega do produto etc);
  • Propaganda (cartões de visita, manutenção de site na Internet etc);
  • Frete;
  • Salários (no caso de ter funcionários contratados) ou Pró-Labore (entenda o termo como sendo o valor da remuneração pelo seu trabalho.. o “salário” do dono).

Gastos com energia e água  podem parecer complicados de se embutir no valor do produto, pois nem sempre serão consumidos com a mesma intensidade. Eu costumo estimar um valor, com base na minha conta mensal (ex: 5% do valor da conta, que deverão ser rateados pela quantidade de peças que produzo em um mês). O que não dá pra fazer é desconsiderar esse gasto.

Gastos com material também costumam dificultar o cálculo. Nesse caso, é preciso certa experiência para saber quanto de cada material se gasta para produzir uma certa quantidade de produtos e fazer o rateio. No começo, é preciso ir trabalhando com estimativas. Com a prática, as contas vão se ajustando. Daí a importância de manter as anotações sobre cada trabalho em dia.

Dica! Para cada encomenda que receber, anote a quantidade de material que foi utilizada para usar como base para as próximas.

custos-em-negocios

Os gastos com propaganda (cartões de visita, por exemplo), também são difíceis de mensurar quando se trabalha com venda sob encomenda. Como ratear o valor gasto com a propaganda se você ainda não sabe quantos produtos irá produzir? a solução, novamente, vem com a experiência. Com o tempo você vai ter uma base de quanto costuma produzir por semana, mês, ano. Daí, é só fazer o rateio. No início, trabalhe com estimativas.

Salário? como assim? trabalho sozinha, dona moça. E por um acaso você trabalha de graça nega? claro que não né? então precisa considerar quanto vale sua hora de trabalho. Essa remuneração devida aos sócios, donos ou alta liderança de uma empresa é chamado de Pró-Labore. Pró Labore é diferente de salário (pago aos funcionários e sobre o qual incide uma série de Leis Trabalhistas). Também não deve ser confundido com com lucro, visse? uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

E como calcular o Pró-Labore de uma artesã? um bom começo é definir quanto você acha que vale sua hora de trabalho. Mas, olha lá, valorize-se, hein? afinal, se você fosse se candidatar a uma vaga no mercado de trabalho, aceitaria receber qualquer valor ou, pior ainda, aceitaria ganhar menos do que um salário mínimo? pois acredite, tem muita artesã fazendo isso sem saber. Pode isso Arnaldooooo?

Nunca deixe de considerar nenhum gasto. No início, não se preocupe se não conseguir chegar a um valor exato, por não saber quanto irá produzir. Trabalhe com estimativas. Com o tempo, você vai fazendo as correções necessárias até chegar ao valor ideal.

Exemplo prático:

Uma artesã recebeu uma encomenda de 20 panos de prato pintados à mão. O cliente deseja receber os produtos em outra cidade, via PAC. Para calcular o custo de cada peça ela considerou os seguintes gastos

Obs.: nesse exemplo, vamos trabalhar com valores referentes a cada peça, mas nada impede que você trabalhe com valores referentes à  quantidade total de peças encomendadas):

 Para produzir os 20 panos de prato, ela sabe que irá utilizar:

  • Pano de prato brancos. Valor de cada peça = R$1,80
  • Tinta: ela utilizará 5 cores de tinta (meio vidro de cada cor). Cada vidro custa R$ 1,60. O total gasto com as tintas para produzir os 20 panos de prato será de R$4,00 (5×1,60 /2 = 4). Portanto, para cada peça ela vai gastar R$0,20 com tintas (4/20 = 0,20);
  • Água: para lavar os pinceis. Aqui, vale a estimativa: a artesã estima que, no mês, vende cerca de 100 panos de prato e que gasta cerca de 5% do valor de sua conta mensal de água, que é de R$35,00. Ou seja, para produzir 100 peças por mês ela gasta R$1,75 com água (5% x 35 = 1,75). Então, para produzir 1 peça, ela gasta R$0,017 com água (1,75/100 = 0,017);
  • Energia: antes de pintar os panos de prato, a artesã, muito caprichosa, certamente passou-os a ferro. Além do mais, a energia elétrica consumida para ventilar e iluminar o ambiente em que ela trabalha, bem como a alimentação do computador que usa para divulgar o trabalho, também deve ser considerada. Para se calcular o valor de energia que deve ser embutido no valor do produto, ela deverá proceder como fez acima, com a água. Façamos de conta de o valor encontrado para cada peça foi de R$0,20;
  • Frete: Como o frete varia de acordo com quantidade e destino, não acho legal embuti-lo ao preço do produto. Prefiro informá-lo, separadamente, ao cliente, no momento da encomenda.
  • Comissão: Nesse caso, ela não existe;
  • Propaganda: A divulgação dos produtos é feita, exclusivamente, por meio de um blog. Portanto, ela pode considerar o valor gasto com a conta da Internet. Nesse caso, procederá como fez com água e energia. Digamos que o valor encontrado para cada peça foi de R$0,45.
  • Transporte: tanto para compra de material como para entrega do produto, mesmo que seja em uma agência dos Correios. No caso de veículo próprio, faça uma estimativa de gasto de combustível (como no exemplo da água). Caso você utilize transporte público, faça o rateio do valor das passagens (ida e volta) pela quantidade de produtos. Digamos que nossa artesã gastou R$ 8,00 em passagens de ônibus (para comprar o material e levar a encomenda aos Correios). Distribuindo esse valor entre as 20 peças que produziu, encontrará um custo com transporte de R$0,40 por peça.
  • Pró-Labore: Ela definiu que sua hora de trabalho vale R$3,58 (valor calculado com base no salário mínimo vigente no Brasil). Digamos que ela dedique 4 horas do seu dia para fazer seus artesanatos. Nestas 4 horas (240 minutos) de trabalho ela produz 10 panos de prato. Portanto, para produzir cada pano de prato, ela gasta cerca de 25 minutos. Se 1h (60 minutos) de trabalho desta artesã vale R$3,58 e ela produz um pano a cada 25 minutos, para cada pano de prato ela deve cobrar cerca de R$1,50 pelo seu trabalho.

Somando todos os gastos calculados para cada pano de prato, ela encontrará:

R$1,80 (pano de prato) + R$0,20 (tintas) + R$0,017 (água) + R$0,20 (energia elétrica)  + R$0,45 (propaganda) + R$0,40 (transporte) + 1,50 (pelo trabalho) = R$4,57, que pode ser arredondado para R$4,60.

Esse é o custo do produto, isto é, para cada pano de prato da encomenda, ela gastou R$4,60.

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Pronto, agora que você já tem uma noção de como identificar o custo de um produto, faça testes com as peças que você produz e verifique se está considerando, de fato, tudo o que gasta com elas. Pratique bastante essa etapa do processo de definição de preços, pois no próximo post você verá outros itens que deverão ser embutidos.

Importante!

O processo de definição do preço do produto não para por aqui. O custo é apenas um dos itens que irão compor o preço. Portanto, não deixe de ler as próximas postagens.

Ah! e não esqueça de compartilhar suas experiências conosco. Fique à vontade para deixar um comentário. Abraços e até o próximo encontro.

Leia a primeira parte do texto clicando AQUI.

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